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É possível, no anonimato de uma grande cidade, um acontecimento ser sinal de esperança? Seremos capazes de transformar a atmosfera de uma cidade durante cinco dias? Será que a Europa se conseguirá tornar uma comunidade verdadeiramente humana? Há lugar para a vida interior na complexidade do mundo em que vivemos? Como redescobrir um sentido para a vida?
No final do ano, de 28 de Dezembro de 2004 a 1 de Janeiro de 2005, dezenas de milhares de jovens de todos os países da Europa, e também de outros continentes, estarão em Lisboa para participar no Encontro Europeu de Jovens. Virão abrir caminhos de confiança... confiança entre as pessoas, confiança entre cristãos de diferentes tradições, confiança entre os povos, confiança em Deus. Trarão consigo questões prementes a respeito da solidariedade, da paz, da justiça, do aprofundamento da fé, do compromisso social.
Este Encontro em Lisboa é mais uma etapa da Peregrinação de Confiança na Terra, para a qual Taizé desafia os jovens há 27 anos e que, recentemente teve lugar em Hamburgo, Paris e Budapeste.
O Encontro está a ser preparado por cerca de 200 paróquias da diocese de Lisboa, Setúbal e Santarém, em colaboração com a Comunidade dos irmãos de Taizé (França), e na qual a paróquia do Cacém está incluída!
in Caminhos de Confiança, livro preparado para divulgar o Encontro.
O apelo lançado a todas as pessoas é que abram as portas dos seus corações e de suas casas para acolher estas dezenas de milhares de jovens cristãos de toda a Europa. Que ao chegarem a Portugal, descubram o acolhimento caloroso das famílias e comunidades cristãs portuguesas!
Os jovens trazem colchão e saco-cama, sabem que vão dormir no chão e só vão precisar de um pequeno almoço simples durante os dias do Encontro, após o qual sairão de casa para participar durante a manhã em actividades na paróquia e à tarde no Parque das Nações, bem como o almoço de dia 1 de Janeiro. Só regressam por volta das 22.30h quando terminar a oração da noite na FIL.
2 m2 = 1 jovem em casa!!! Não é complicado ser acolhedor de forma simples e com poucos meios materiais. E não é necessário saber falar uma língua estrangeira: a linguagem gestual é universal!
Como fazer para acolher jovens?
As manhãs do Encontro Europeu terão lugar nas paróquias e durante essas quatro manhãs, os jovens reunem-se para uma oração, seguindo-se encontros com pessoas empenhadas em diferentes projectos no bairro ou na paróquia, bem como tempos de partilha em pequenos grupos internacionais.
Todos estão convidados a participar no programa do Encontro! O programa definitivo e detalhado será afixado na paróquia em Dezembro.
A totalidade do Programa do Ecnontro Europeu está aberta a todos os habitantes da região de Lisboa, sem qualquer bilhete de entrada, incrição prévia ou limite de idade. Só os portugueses que vierem de outras regiões é que se devem inscreverjunto dos departamentos diocesanos da pastoral juvenil.
Este convite é válido, em particular, para as sete orações comunitárias nos pavilhões da FIL, que serão momentos fortes do Encontro (ver horários em Programa do Encontro). A tradução em português estará indicada através de painéis.
Em Dezembro, estarão disponíveis detalhes sobre os workshops que terão lugar nos dias 29 e 30 de Dezembro.
O Encontro Europeu não se trata só de cinco dias, mas sim de um desafio que mobiliza durante mais de três meses toda a região da Grande Lisboa.
Em todas as paróquias estão a ser formadas equipas de preparação que procurarão famílias de aolhimento e alojamentos, prepararão o programa das manhãs e do Ano Novo, ousarão abrir caminhos de confiança...
Todos estão convidados a ajudar. Jovens e menos jovens. Pessoas com dons muito diversos são desafiadas a pôr mãos à obra!! E mãos para ajudar e ideias a brotar são sempre bem-vindas.
Se está disponível para ajudar, dirija-se ao Cartório (durante a semana entre as 15.30-19h) ou ao Secretariado da catequese (Sábado entre as 10.30-12h e ao Domingo entre as 10.30-11.30h) e deixe o seu contacto.
in Caminhos de Confiança, livro preparado para divulgar o Encontro.
(Colar Aqui)
O Irmão Roger, Superior e Fundador da Comunidade Ecuménica de Taizé, aceitou o meu pedido de realizar em Lisboa, o 27º Encontro da Juventude. Será mais uma etapa de uma longa peregrinação da confiança através do mundo, que tem posto em diálogo de comunhão muitos milhares de jovens de toda a Europa, nas principais cidades europeias.
Num mundo ameaçado pela violência e que procura a luz que dará sentido novo ao seu futuro, é importante que sejam os jovens a fazerem-se peregrinos da esperança. Eles vêm para rezar com quem quiser rezar com eles, para partilhar a alegria com quem quiser abrir o coração à riqueza dos outros, tantas vezes expressa na sua diferença. Eles querem ser semente de uma nova convivência entre os povos da terra. Como princípio inspirador destes encontros, está a certeza de fé que a oração é uma força que fecunda a história e de que só haverá uma sociedade mais justa e fraterna se todos se comprometerem generosamente na sua construção.
É, pois, com muita alegria e esperança que anuncio ao Patriarcado de Lisboa que se realizará em Lisboa, de 28 de Dezembro de 2004 a 1 de Janeiro de 2005, o Encontro Internacional da Juventude, promovido pela Comunidade de Taizé e que reunirá cerca de 40.000 jovens de toda a Europa.
Não é preciso dizer o que é a Comunidade de Taizé. O rasto de esperança que foi traçando nos caminhos tortuosos do nosso mundo, tornaram-na internacionalmente conhecida e credível. Contam-se por muitos milhares os jovens portugueses, que ao longo dos anos, passaram por Taizé. Contamos com todos eles para ajudarem a descobrir a beleza desta peregrinação da confiança. É preciso mobilizar as comunidades cristãs, paróquias e outras, em toda a grande Lisboa, para acolherem estes jovens, rezar com eles e partilhar com eles a esperança. Tenho a certeza de que, mais uma vez, a Igreja de Lisboa saberá acolher na alegria. Conto, igualmente, com a colaboração das autoridades e das instituições civis, nesta grande operação de acolhimento. Esperamos dezenas de milhares de jovens, o que exigirá medidas de acolhimento simples e eficazes.
No ano de preparação imediata para a realização em Lisboa do Congresso Internacional da Nova Evangelização, ao qual eu espero uma adesão significativa da juventude de Lisboa, este Encontro pode ser um sinal de que os jovens podem partilhar a esperança, não ter medo de Deus, e encontrarem na fé a força que os tornará protagonistas de um mundo novo.
Jovens de Lisboa! Acolhei os jovens, vossos irmãos, vindos de toda a Europa, partilhai com eles a esperança, rompei com o cerco da indiferença, descobri um ideal, sede testemunhas da alegria.
Lisboa, 28 de Março de 2004, JOSÉ, Cardeal-Patriarca
Foi no contexto da preparação do Encontro Europeu em Lisboa que nasceu o projecto de gravação de um CD. Pela primeira vez na história dos Encontros Europeus vai ser disponibilizado um CD com alguns dos cânticos que serão utilizados nas celebrações.
Com a generosa colaboração dos Irmãos da Comunidade de Taizé e da Editora Nova Terra, o SDPJ de Lisboa impulsionou a produção de um CD com 18 cânticos, muitos deles em português - e, inclusive, um inédito! Este é o primeiro Cd editado com cânticos de Taizé em português e foi gravado na Igreja de S. Jorge (Lisboa), em Maio de 2004, por jovens da região de Lisboa.
"Tu és Fonte de Vida" (assim se chama o CD) está já disponível no SDPJ de Lisboa e, muito em breve, um pouco por todo o país, podendo servir de ajuda às comunidades de acolhimento na preparação das orações comunitárias da manhã.
Eis o alinhamento das 18 faixas (disponibilizamos dois pequenos excertos* da faixa que dá o nome ao CD e do inédito):
Este CD está também disponível na paróquia.
in página do SDPJ
Comunidade de Taizé, Edições Salesianas
«Este livro propõe uma série de orações e de cânticos de Taizé, que podem ajudar a manter uma continuidade na vivência da oração, tanto pessoal como comunitária»
in da página de Taizé com as publicações editadas em português
«Um livro preparado pela Comunidade de Taizé. Na primeira parte encontram-se esquemas de oração comunitária para os vários momentos do ano litúrgico. Na segunda, cento e dois belos cânticos, incluindo a partitura musical»
in da loja online das Edições Salesianas
A primeira recordação que tenho é do frio ... De Lisboa a Viena (Áustria) foram três dias de viagem, sempre acompanhados de muita chuva, frio e neve, mas mesmo assim a alegria que nos consumia nunca nos abandonou e à medida que nos íamos aproximando essa mesma alegria parecia crescer e crescer.
Quando chegámos, o grupo foi repartido em grupos mais pequenos e distribuídos por diversas paróquias. Na minha paróquia informaram-me que iria ser acolhida numa escola e logo pensei que as condições não iriam ser as melhores, ou pelo menos as que eu precisava depois da longa viagem, mas esta sensação pouco durou. Logo na primeira oração em conjunto com todos aqueles milhares de jovens que como eu fizeram uma longa viagem, senti que tudo valeu a pena e que os próximos dias iriam ser muito especiais.
As manhãs eram passadas na paróquia, seguia o almoço, participávamos nos workshops, depois o jantar seguido da oração da noite com todos e no regresso à paróquia havia sempre um grupo de jovens à nossa espera, para conviver e partilhar as emoções que tinham marcado o dia.
O grande momento aproximou-se e a igreja da paróquia estava cheia de gente que optou, como nós, passar a meia noite a rezar. Os foguetes e todo o êxtase que se fizeram sentir, contrastavam com o silêncio que se fazia na igreja ... foi único ... no meu silêncio ferviam as emoções mais puras e poderosas que alguma vez senti e tenho a certeza que todos os que ali estavam sentiram o mesmo. Uma serenidade e alegria extrema que pairava entre nós motivou-nos a ir lá para fora, fizemos um cordão humano à volta da igreja, cada um com a sua vela e pouco a pouco, todas as pessoas que passavam por nós acabaram por se juntar e ficaram connosco rezar pela paz no mundo. Já era bastante tarde quando as primeiras pessoas começaram a abandonar o recinto da igreja, mas nós os jovens ficámos para último, mesmo sabendo que a nossa paróquia tinha preparado uma festa com tudo aquilo que pensamos para uma noite de fim de ano, aquele momento era razão da nossa ida a Viena e não o quisemos desperdiçar por nada.
Penso que todos os que virão ao Encontro em Lisboa, procuram este mesmo momento único e sinto que é um privilégio para nós podermos contribuir para que outros milhares de jovens venham a sentir o mesmo ... sentir o amor de Deus em nós.
Participei já em vários encontros. A oração pela paz, a partilha de esperiências para ajudar os mais desfavorecidos, o trabalho de centenas de voluntários para que o encontro seja um sucesso, conferem um significado inigualável ao momento da passagem de ano. Encontrar tantos jovens que procuram a paz dá-nos esperança. Afinal, não estamos sós. Outros lutam pela justiça e acreditam em Deus. Acreditar que Deus se compromete connosco dá-nos coragem para assumir compromissos na nossa comunidade. Ousar dar um pouco de nós mesmos pode dar mais sentido ao nosso dia a a dia. E é isso mesmo que o Encontro Europeu nos convida a fazer: dar mais significado à nossa vida no ano que começa.
Vejo nestes encontros de jovens uma oportunidade para me reaproximar de Deus. Ele fala-nos na beleza das orações. Baseiam-se em cânticos muito simples, meditativos, em que todos somos convidados a participar. Os nossos olhos podem pousar-se sobre um ícono da Vírgem ou de Cristo. Muito usados na igreja oriental, são como uma janela aberta para o rosto de Deus.
Os encontros também nos oferecem a oportunidade de ouvir interessantes testemunhos da vida na cidade aberta ao outro. Encontramo-nos com a pluralidade europeia, através do testemunho de pessoas de vários países. São pessoas normais, que não fazem coisas extraordinárias, mas que fazem diferença. Com o seu exemplo, posso adquirir ferramentas para mudar cenários aqui, no meio onde vivo.
Fui a vários encontros europeus desde 1998. A experiência de participar num Encontro Europeu é bem diferente da de viver uma semana na calma colina de Taizé. É incrível ver uma cidade encher-se com a alegria contagiante de 40.000 ou 50.000 jovens. E o mais admirável é estes largos milhares de participantes virem passar o ano a rezar pela paz, juntamente com pessoas de outras latitudes e longitudes, sensibilidades e mentalidades. Em dias frios de Inverno, como ficar indiferente à alegria e ao calor humano que enche os transportes públicos, as paróquias, os bairros mais tranquilos, a feira de exposições, as zonas de distribuição de comida, as ruas velhas do centro da cidade? E como isto contrasta com a tranquilidade e com a beleza dos cânticos da oração comunitária, com o espesso momento de silêncio que acontece duas vezes por dia quando 25 mil pessoas se encontram dentro de um pavilhão para rezar! Não há palavras para descrever esta experiência.
A preparação de um encontroAlguns meses antes do encontro, um grupo de irmão de Taizé, de irmãs de Santo André e de jovens voluntários vem até à cidade do Encontro para começar a ajudar a prepará-lo. É vasta a experiência da preparação deste tipo de encontros - é o 27º! Mas este grupo de pessoas vem para ajudar, e não para preparar na íntegra: eles contam connosco, que de uma forma ou outra os poderemos ajudar. Além de cada um poder oferecer espaço em suas casas e no seu coração para acolher, também há a oração e alguma mão-de-obra necessária. A preparação de um encontro tão grande não é uma coisa enorme, pesada e incomportável. É claro que é preciso dedicação e muito amor, mas ela constrói-se de coisas muito pequenas e todas as ajudas são válidas.
A experiência de BarcelonaO encontro que mais me marcou foi, sem dúvida, o de Barcelona. Participei nele de uma forma muito especial: em Outubro cheguei à capital da Catalunha para ajudar a preparar a Peregrinação de Confiança sobre a Terra. A Catalunha é considerada a zona mais laicizada de toda a Espanha. De facto as igrejas estão longe de estar cheias, mas os valores cristãos não desapareceram por completo. Grande parte dos habitantes dedica tempo a alguma causa social ou de solidariedade. Apesar de ser uma cidade aparentemente austera (as pessoas na rua parecem distantes) há muito voluntariado entre os jovens: eles não são indiferentes ao próximo nem se acomodam em desculpas esfarrapadas que procuram descansar as consciências.
Não foi fácil encontrar lugares em famílias. Mas tive o privilégio de poder acompanhar o antes e o depois do Encontro. Antes havia desconfiança, medo, hesitação. Houve paróquias em que as pessoas só se decidiram à última hora. Havia entraves, questões, expressões do tipo seja o que Deus quiser!. Depois do encontro, voltei-me a reunir com as paróquias que acolheram. As pessoas vieram em massa expressar a alegria da descoberta e da experiência da Peregrinação de Confiança. As histórias não tinham fim, a animação era imensa, algumas pessoas tiveram pela primeira vez contacto com os seus vizinhos ou com outros paroquianos graças à realização do encontro. Criaram-se elos fortes entre os que acolheram e os que foram acolhidos. A língua não foi nunca um obstáculo (contaram-se histórias bem divertidas que explicavam soluções encontradas para comunicar com os de língua mais distante). Houve uma conversão “a olhos vistos”: os receios e as hesitações deram lugar a uma alegria, vontade de partilhar (mesmo com escassez de meios), de voltar a abrir as portas e a pena de não terem acolhido mais gente em casas.
Em Taizé: