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XXI FESTIVAL DA CANÇÃO JOVEM

Breves palavras sobre o Festival

O XXI Festival teve como tema “Queremos ver Jesus!” (Jo 12, 20-23) e realizou-se no dia 13 de Março de 2004 (sábado), pelas 21 horas, no Salão Paroquial da Igreja do Coração Imaculado de Maria no Cacém.


Texto de reflexão sobre o tema

Para reflexão e discussão do tema nos grupos participantes tendo em vista a elaboração das letras das canções, foi disponibilizado pela equipa do SDPJ um texto escrito pelo Pe. Ricardo Neves.

Diz o Evangelho de João que uns gregos, conhecidos de Filipe, lhe pediram: “Queremos ver Jesus”. Neste desejo tão simples e tão forte, emergiu a necessidade de reconhecer o rosto do homem, cujos gestos e palavras eram famosos e atraentes. Porventura, uma curiosidade fugaz; talvez, a busca sincera de respostas; se calhar até, uma atracção escondida pela pessoa.

Com estas palavras ou outras, quantos homens do tempo de Jesus e de todos os tempos, quiseram vê-l'O? E muitos foram mais longe, porque queriam ver internamente Jesus, descobrir o seu coração, entender o segredo da sua missão e perceber donde e por quem vinha. Para muitos, onde nós hoje nos incluímos, ver Jesus é um desafio irresistível e exigente de procurar a identidade deste homem, de a contemplar no amor, de a aceitar como caminho e meta da nossa própria vida. E, por isso, ver Jesus, é um gemido de oração, à maneira dos cegos do Evangelho, uma súplica sincera e cheia de esperança, um pedido para que os nossos olhos, o nosso coração e a nossa inteligência se abram à Luz que nos espreita.

E hoje, tal como no Evangelho, repete-se o milagre: Jesus acolhe o desejo dos gregos, mas reserva-lhes mais do que suspeitavam. É que para ver realmente Jesus, não basta desejar ou querer, não basta pegar nas imagens e nos relatos à maneira de um filme, não basta saciar a curiosidade imediata. Para ver Jesus, é preciso aceitar o que Ele nos reserva, traçar o caminho que Ele nos propõe e dispôr-se a receber a surpresa da sua revelação inteira.

Foi essa a resposta de Jesus aos gregos. Se O queriam ver, se lhes interessava o brilho da sua beleza e a força da sua vida, então teriam de ver a Páscoa, a nova Páscoa que Jesus iria atravessar. Foi aí que esses gregos, mas também os Apóstolos, viram realmente Jesus: viram o Senhor ressuscitado e cheio de poder, viram o Servo obediente à vontade do Pai, viram Deus cheio de compaixão e misericórdia, viram o Cordeiro entregue em nome de todos, viram o Sacerdote de braços abertos entre o céu e a terra, viram a Palavra que rasga a verdade sobre os céus e a terra. Na Páscoa despiram-se os sonhos e a imaginação acerca de Jesus, ficou para trás o desejo de um salvador feito por medida, acabou a quimera de um messias imposto por vontade humana: sobrou Jesus na crueza do Filho de Deus, Deus com o Pai e o Espírito, feito homem inteiro e a atravessar a vida inteira dos homens; ficou um Deus igual a Si próprio e tão dentro da nossa condição humana; mostrou-Se um Homem com a verdade toda sobre o coração de Deus e sobre a dignidade do homem; restou um caminho, o único, Jesus, para o encontro de cada homem com Deus, consigo próprio e com os outros.

E hoje, de novo para ver Jesus, repete-se a necessidade de subir a Jerusalém e atravessar a Páscoa. Vê-l'O na Nova Jerusalém, a Igreja, onde a Páscoa se celebra, se vive e se desvenda; nos sacramentos, onde se toca e nos alcança a força actuante dessa Páscoa; na Palavra da Escritura e da Igreja, onde a Páscoa nos transporta à frescura inesgotável da Verdade; nos homens, pobres e ricos, bons e maus, grandes e pequenos, onde a Páscoa pede servos incondicionais.

Mas, ver hoje Jesus, é caminho de morte para dar fruto, de renúncia para ser livre: só vê Jesus quem realmente ousa acolher o seu convite de viver, com Ele, a mesma Páscoa e o mesmo itinerário de oferta. Não basta ser espectador, avaliar recursos e produtos, manter sobranceiramente uma distância crítica: é preciso aceitar o desafio da Páscoa e envolver-se nos apelos do Espírito Santo. É Ele que nos abre as portas da Páscoa de Jesus e a faz chegar nova e viva, à nossa própria existência.

“Queremos ver Jesus!” Hoje, é preciso aceitar, pela força do Espírito, a resposta amorosa do próprio Jesus: “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.” (Jo 12, 24)

Padre Ricardo Neves


Canções participantes

O XXI Festival contou com a participação de 9 paróquias da Vigararia, tendo actuado pela seguinte ordem:

  1. Quero ver Jesus - Alma mater (Falagueira)
  2. Ver com o coração - Lumen (Reboleira)
  3. Ode a Jesus - JSF: Jovens sem Fronteiras de Agualva-Cacém (Agualva)
  4. Procuro no horizonte - Jovens Xamon da Buraca (Buraca)
  5. Voar - Myriam (Cacém)
  6. O amor irá reinar - Alma mater (Falagueira)
  7. Caminho até Cristo - Pré-Encontro da Venda Nova (Venda Nova)
  8. Menino Profeta - Os do Monte (Monte Abraão)
  9. Pequenas Coisas - Grupo do Espírito (Agualva)
  10. Estar contigo - Alpinistas (Mira-Sintra)
  11. Não sou mais... - Nova Humanidade (Centro Pastoral Claret)
  12. Todos os Grupos - Hino

Prémios atribuídos

1º Lugar: Ver com o coração - Lumen (Reboleira)

2º Lugar: Voar - Myriam (Cacém)

3º Lugar: Pequenas Coisas - Grupo do Espírito (Agualva)

Melhor Música: Voar - Myriam (Cacém)

Melhor Letra: Ver com o coração - Lumen (Reboleira)

Melhor Interpretação: Pequenas Coisas - Grupo do Espírito (Agualva)

Prémio Simpatia (votado pelos grupos participantes): Grupo do Espírito (Agualva) e Os do Monte (Monte Abraão)

Prémio do Público (canção eleita pelo Público): Ver com o coração - Lumen (Reboleira)


Participação no IX Festival Diocesano da Canção Cristã

A canção Ver com o coração interpretada pelo grupo Lumen da Paróquia da Reboleira foi a representante da Vigararia da Amadora no IX Festival Diocesano da Canção Cristã, que teve lugar em Lisboa, no integrado na Jornada Diocesana da Juventude no dia 18 de Abril de 2003.



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