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Cruz da Missão

Carta fundadora: evangelização das grandes metrópoles

[da página do ICNE]

31 de Agosto de 2000

Viena, Paris, Bruxelas, Lisboa... Cada uma destas grandes metrópoles tem a sua história e o seu rosto. Contudo, o nosso ministério mostra-nos claras semelhanças quanto à sua situação espiritual. A vida urbana parece favorecer uma paganização acelerada. Mas, ao mesmo tempo, surge uma procura religiosa cada vez mais forte, dentro do próprio cristianismo, fonte da nossa cultura.

Todos aqueles que, ao longo de mais de vinte anos, se aventuraram no campo da evangelização directa notam uma mudança real acontecida neste últimos anos. As experiências recentes e variadas de missões, levadas a cabo em diversas grandes cidades da Europa, mostram quanto a busca de sentido e a procura de Deus se exprimem hoje com mais liberdade e exigência. A nossa época apela ao anúncio do Evangelho.

É necessário e torna-se urgente propor às grandes cidades das nossas dioceses os meios de partilhar e confrontar as suas experiências. É por isso que decidimos pôr em marcha congressos internacionais de evangelização que, em cada ano, terão lugar numa cidade diferente.

Propomo-nos um duplo objectivo: o primeiro é fornecer aos agentes eclesiais da missão uma ocasião regular para se encontrarem, reflectirem, e trocarem informações e experiências. O segundo é promover a nova evangelização nas grandes metrópoles e renovar as paróquias urbanas, através da missão.

Estes congressos desenrolar-se-ão, pois, em dois tempos. Primeiro, o congresso propriamente dito para o qual serão convidados os representantes de movimentos, paróquias, dioceses, desejosos de partilhar e enriquecer a sua experiência. Depois, será seguido de uma missão de grande envergadura, organizada à volta das paróquias da cidade de acolhimento e com o apoio de todos os participantes no congresso.

O primeiro congresso realizar-se-á em Viena na primavera de 2003, tendo os seguintes lugar, sucessivamente, em Paris, Lisboa e Bruxelas, e em seguida noutras cidades, sob a responsabilidade de uma equipa formada por pessoas nomeadas por nós: os responsáveis da Igreja local da cidade de acolhimento do congresso, aos quais se juntarão os representantes das nossas respectivas dioceses.

Para levar a bom termo a realização deste projecto, solicitámos à Comunidade Emanuel, que assegurasse a coordenação do trabalho da equipa assim formada.

Confiamos o êxito e a fecundidade deste empreendimento à oração da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos.

Cardeal Christoph Schönborn, Arcebispo de Viena

Cardeal Jean-Marie Lustigier, Arcebispo de Paris

Cardeal José da Cruz Policarpo, Patriarca de Lisboa

Cardeal Godfried Daneels, Arcebispo de Maline Bruxelas


Carta Pastoral do Cardeal-Patriarca de Lisboa: missão na cidade

[da página do ICNE]

Introdução

1. Como é do conhecimento público, a Diocese de Lisboa é co-organizadora de um “Congresso Internacional da Nova Evangelização”, em conjunto com as Dioceses de Viena de Áustria, de Paris e de Bruxelas. A estas quatro dioceses vai juntar-se, desde já, a Diocese de Eztergom-Budapeste, na Hungria. O anúncio do Evangelho no contexto urbano das grandes metrópoles do nosso tempo é o desafio que aceitámos. Está quase tudo dito sobre a “nova evangelização”. Agora é preciso sair à rua, ir para o centro das cidades, onde as pessoas se cruzam na azáfama do dia a dia, onde lutam, sofrem, esperam, alimentam utopias e anunciar a esperança que tem a sua fonte em Jesus Cristo. “Jesus Cristo é a nossa esperança, porque Ele, o Verbo eterno de Deus (…) nos amou”. “Fundamentada nesta confissão de fé, brota do nosso coração e dos nossos lábios uma jubilosa confissão de esperança”(1)

O Congresso terá a sua realização, em Lisboa, no Outono de 2005. Isto significa que durante o Ano Pastoral que agora se inicia temos de intensificar a sua preparação, que não consta, apenas, de acções e estruturas, também necessárias; temos, sobretudo, de nos prepararmos, pessoas, Movimentos e Comunidades, para esta acção evangelizadora. É meu desejo que toda a nossa Diocese, mas sobretudo a Cidade de Lisboa, se ponha em ambiente de Congresso, o que quer dizer em estado de missão.

A missão de evangelizar.

2. O Congresso é a concretização da primordial missão da Igreja: evangelizar. E esta é o anúncio jubiloso da esperança que brota dos corações daqueles que acreditam em Jesus Cristo e encontram n'Ele a fonte da esperança e o sentido da vida. A mensagem deste anúncio é a mesma desde há dois mil anos; mas a forma de anunciar pode ser renovada em cada tempo e em cada contexto cultural, pela razão simples de que se trata de um anúncio a pessoas concretas e situadas, feito por outras pessoas que partilham com elas o mesmo quadro de vida.

A natureza da evangelização põe-nos a todos, neste contexto do Congresso, perante um duplo desafio: aprofundar e interiorizar em nós este anúncio da esperança e encontrar os meios e os modos adaptados para anunciarmos essa esperança a todos os homens e mulheres com quem partilhamos a vida da nossa Cidade. A Igreja vive de Jesus Cristo e só essa procura contínua da radicalidade do Evangelho, a tornará capaz de anunciar, encontrando a maneira simples e sincera de o fazer. Esta é a perspectiva fundamental de uma Igreja que se quer pôr em “estado de missão”: só quem vive do Evangelho aceita ser enviado a anunciá-lo.

Evangelizar a nossa Cidade.

3. A urgência da evangelização brota de um duplo dinamismo: a vontade do Senhor, que envia a Igreja de todos os tempos a anunciar a boa nova da salvação, e o apelo da Cidade, dos homens e mulheres nossos irmãos que partilham connosco o drama da vida, nesta Cidade que nós amamos.

Quando falamos de Lisboa como urgência de evangelização, não nos referimos, apenas, à velha Cidade de Lisboa, circunscrita pelas fronteiras do seu Município; o nosso olhar alarga-se, necessariamente para a chamada “grande Lisboa”, que de Almada a Cascais, de Sintra a Loures, de Sacavém a Vila Franca de Xira, é o cenário desse vai e vem contínuo que constitui a principal característica da população das cidades modernas: a mobilidade. Falamos de cerca de cento e cinquenta mil jovens universitários que para Lisboa convergem, para frequentar as Universidades da capital; não esquecemos a Lisboa administrativa, centro do poder, porque capital da Nação, o que a torna cruzamento necessário de pessoas vindas de todo o país; olhamos com uma solicitude particular para cerca de duzentos mil emigrantes, vindos de várias partes do mundo à procura de uma vida melhor e que se situam entre o grupo dos mais pobres e desfavorecidos. E ao olharmos esta Cidade, buliçosa e agitada, não podemos esquecer aqueles que habitualmente não se vêem: os doentes, os idosos, os presos. Muitos deles poderão participar activamente na “missão na Cidade”, oferecendo a sua oração e o seu sofrimento.

Ao olharmos a nossa Cidade como espaço de evangelização, uma questão inevitável se nos apresenta: o que é hoje Lisboa do ponto de vista cristão? Ela que foi alfobre de missionários, de santos e mesmo mártires? Ela que esteve na origem da expansão do cristianismo nas cinco partes do mundo? Disso continuam testemunhos eloquentes os belos templos erigidos ao longo dos tempos, padrões vivos da fé de uma Cidade: a Sé Catedral, Santa Maria de Belém, Nossa Senhora dos Mártires, São Domingos, São Vicente de Fora, a Madre de Deus, a Basílica da Estrela, Nossa Senhora de Fátima, o Sagrado Coração de Jesus. Eles aí continuam, eloquentes na sua beleza, proclamando cada um na linguagem artística da sua época, a mesma mensagem de uma cidade cristã.

Como todas as grandes cidades do nosso tempo, Lisboa alterou a sua fisionomia cultural e religiosa, tornando-se uma cidade plural. Não foi alheia aos ventos do laicismo e à erosão cultural de uma época marcada pela grande comunicação. A sua população declara-se cristã na sua maioria, 86% no último senso. Segundo o último estudo sobre a prática dominical, cerca de 10% da sua população ainda pratica dominicalmente a sua fé. Dos outros, a maior parte guarda referências à Igreja nos grandes momentos da vida: nascimento, casamento e morte. Os grandes valores que inspiram a vida comunitária têm origem cristã: o respeito pela pessoa humana, a solidariedade e o gosto de partilhar, o culto da liberdade. Há já um grupo que se declara sem religião, agnóstico ou mesmo ateu, embora os grandes valores de referência sejam os mesmos de toda a comunidade.

Entre essa maioria que se declara católica, podemos considerar vários grupos cuja diferença é significativa em termos de evangelização: os praticantes, que constituem o rosto visível das comunidades cristãs e que têm de ser o ponto de partida da acção evangelizadora; o grupo dos não praticantes, mas que guardam referências visíveis à Igreja, a quem é preciso ajudar a descobrir a beleza do seu baptismo e da sua qualidade de Católicos; o grupo dos “descrentes”, a quem é preciso testemunhar a beleza da fé. Às outras Igrejas e Confissões Cristãs, manifestamos o nosso respeito fraterno e convidamo-las a participar na missão com um anúncio vivo de Jesus Cristo.

A verdade da evangelização.

4. O Congresso não é uma estratégia para reforçar o poder da Igreja na sociedade. Fazemo-lo por fidelidade a uma convicção muito profunda de que a fé é uma manifestação do amor com que Deus ama todos os homens. Jesus Cristo continua a ser a expressão absoluta do amor de Deus por nós. É desejo de Deus que os homens se encontrem com o seu Filho Jesus Cristo. Esta é a verdade profunda da evangelização, que a inspira, motiva e sugere os modos. Podemos concretizar uma tríplice dimensão desta verdade da evangelização: a verdade dos homens a quem anunciamos o Evangelho; a verdade da fé de quem anuncia; a verdade da Palavra de Deus que anunciamos. Ao prepararmo-nos para a “missão na Cidade” temos de aprofundar e meditar nesta tríplice dimensão da verdade da evangelização.


Receber a Cruz da Missão no Cacém

Para melhor viver o momento de preparação para o Congresso Missão, cada paróquia receberá a cruz da Missão durante uma semana, à volta da qual existirão celebrações e orações.

A Cruz da Missão estará no Cacém na semana de 24 a 31 de Outubro.

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